sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Kasinski Mirage 150

Após a venda da Kasinski para a chinesa Zongshen, ficou clara a sua estratégia de investimento no segmento popular de motocicletas no mercado nacional. A marca, que tem como estrela a questionável Comet GT-R 250, apresentou no Salão Duas Rodas de 2009, algumas novidades, dentre elas, a irmã mais nova da gigante Mirage 600, a custom de pequeno porte, Mirage 150. Racionalmente, para o consumidor final, ter uma custom de baixa cilindrada é um investimento horrível e de um custo/benefício ainda pior. O investimento é ruim porque sabemos o quanto a revenda de uma moto dessas pode ser traumatizante e o (in)feliz proprietário pode acabar por revender sua moto a um preço muito mais baixo do que pagou na concessionária. O custo/benefício baixo se deve ao fato de que as motos custom, ou então, motos de tiozão, foram feitas exatamente para os tiozões. São motos dedicadas à estrada lisa e sem buracos e, de preferência, sem muitas curvas fechadas. Os pontos fortes das customs são o conforto e o design imponente, portanto, apesar da alta cilindrada, são motos feitas para viagens longas e tranquilas (no quesito velocidade). Quando eu falo custom, me refiro às customs de verdade, e não a essas mini-customs. Bem, são motos que tem sua velocidade final reduzida pelo sistema de acionamento por correias, o que não é um problema já que são motos que não foram feitas para manobras em alta velocidade, justamente porque, devido à posição de pilotagem e a distância muito pequena do solo, essas motos não se inclinam bem nas curvas quando comparadas à qualquer outro tipo de moto e a manobra do contra-esterço é quase inexistente para o piloto.

Quem já andou nas antigas Honda Shadow 500 e na falecida Yamaha Virago 1100, sabe o sofrimento que era quando se estava a mais de 100km/h e, de repente, nos víamos dentro de um buraco na pista. A reação numa XTZ, Bros, ou até mesmo CG Titan, que são motos populares, não seria tão dramática como nas nossas antigas customs que nos davam um choque físico na coluna que iríamos sentir nos próximos 20 dias. O que quero dizer, é que as grandes marcas sofreram evoluções. A Honda substitui o sistema de amortecimento da Shadow e, como é uma moto cara, reajuste no preço final a nível de segurança e conforto foram muito bem aceitos. A Yamaha, de tão queimada que a Virago ficou, a tirou de vez do mercado em todas as suas versões para substituí-la pela Drag Star e, posteriormente, pela Midnight Star e, nunca mais, se atreveu a fazer uma custom de pequena cilindrada como a Viraguinho 250 que sucumbiu justamente porque ficaria sem público alvo se passasse por um reajuste do sistema de amortecimento, já que o preço final subiria demais a ponto do público de uma 250 optar por outra mais vantajosa.
Então, temos duas coisas bem definidas em relação às customs: são motos para viagem e totalmente centradas em conforto. Sabendo disso, podemos cortar a maior parte dos elementos que fazem uma custom ser uma custom de uma mini-custom. Exemplificando: para justificar o preço baixo, uma mini-custom não tem nenhum sistema diferenciado de amortecimento, tampouco um sistema anti-vibração; a velocidade final e retomadas perdem para as concorrentes urbanas e on/off road; o conforto é questionável e a imponência é nula. Numa tentativa de redefinir o conceito das mini-customs, dá para dizer que são customs urbanas. Mas... peraí?! Aceitando uma pessoa que realmente ache o design das customs mais chamativo, valeria mesmo a pena relar os pés no chão em toda rotatória da cidade, reduzir a velocidade a 20km/h tendo que entortar a moto em todo quebra-molas para que a moto não raspe, sendo que o consumo e a velocidade final são semelhantes às concorrentes puramente urbanas, somente pelo design?! Se colocarmos numa tabela custo/benefício para motos populares, uma mini-custom perde em tudo para as urbanas e até mesmo para os scooters. Tendo como único ponto forte o design, ainda variável de pessoa para pessoa, não é um bom investimento. De qualquer maneira, como dizemos em administração: onde há público, há mercado. O brasileiro comum não é muito de pensar, não gosta de pesquisar antes de comprar e estudar as vantagens e desvantagens. Gosta mesmo é de ir na lábia do vendedor e achar que está tudo certo e, muitas vezes quando caem do cavalo por própria ignorância, recorrem ao tão lotado Procon. De qualquer maneira, essa história de Procon não tem nada a ver com a história das customs, mas exemplifica as atitudes babacas da maioria dos cidadãos desse país.

Já que há mercado, vamos às comparações. Bom, a Mirage 150 veio para bater de frente com a duvidosa Dafra Kansas 150 e a regressiva Suzuki Intruder 125. É até estranho incluir a Suzuki Intruder no critério de mini-custom já que ela está mais para CG bolinha retrô. Já exemplifiquei em outro post meu desprezo por essa oficial moto dos carteiros, tanto quanto a minha decepção com a Suzuki. É um mercado irracional, mas ele existe e estava carentíssimo até a chegada da Kansas, que apesar de ser de péssima qualidade, vende que nem água. Muitos dos que ainda estavam em dúvida para pegar uma Kansas, se sentirão mais satisfeitos com a nova Mirage que é, de longe, superior às concorrentes. Consegue vir com sistema de amortecimento bem conceituado, sistema anti-vibração e sissi-bar mantendo o preço (sugerido) de R$ 5.390,00. Além de tudo, é uma réplica bem feita da Mirage 250, dona de um desenho inquestionavelmente superior às suas concorrentes. Só deixou a desejar por vir carburada num mercado que já conhece as maravilhas da injeção eletrônica. De qualquer maneira, suas concorrentes também são carburadas. Colocando em comparação, ela ganha em tudo de todas. Talvez a revenda seja um pouco mais difícil mas para quem já está dando a cara a tapa topando uma custom urbana, revenda não é um problema, ainda mais que poderá até ser contornado já que a popularização desse segmento só cresce no país, logo, a revenda melhora.

9 comentários:

  1. Cara, sinceramente, acho que você tá precisando sentar em uma Mirage 150. Eu rodo em um segmento de 150 km, quatro vezes por semana na BR101, e ela responde muito bem. Agora, essa história de andar ralando o pé em quebra mola não procede. A questão é: moto é para andar ocasionalmente com passageriros e não sempre com passageiro - se alguém quer comprar moto para trabalhar como moto-boy, não compre uma Mirage 150. Além disso, o problema da altura da moto em relação aos quebra-molas é o fato de que nossas "autoridades" ignorantes não fazem quebra molas segundo as especificações técnicas - se bem que hoje já existem alternativas muito melhores do que quebra-molas para reduzir velocidade. Até hoje minha moto só encostou em quebra-mola feito a facão. No que diz respeito a revenda, existem duas maneiras de se adquirir algo: como um robozinho guiado pelo mercado (tenho que comprar algo que eu possa vender pelo mesmo preço que comprei daqui a três anos, mesmo que não seja algo que goste efetivamente) ou guiado por uma satisfação pessoal em adquirir algo com o que você se identifica e se sente bem. Não é uma questão de sermos compradores que não gostam de pesquisar. É uma questão de lógicas diferentes - mas eu não espero que você compreenda isso...

    Bom... Não troco minha Mirage por nada e olhe que eu saí de uma XTZ 250 para ela.

    Vá lá! Compre uma CG 150 e fique babando as Miragens 150 quando elas passarem - que é o que os Hondeiros estão fazendo...

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  2. Sim, eu sentei na Mirage e provavelmente nossa definição de conforto é bem diferente. Você teve uma Lander que não é bem confortável, justificável pela proposta off-road mas trocá-la por uma Mirage só me diz que você não tem um perfil motociclístico bem definido, já que são motos muito opostas.

    Infelizmente, o mercado não é bonzinho com ninguém, mas vai de cada um a decisão de ter que revender sua motocicleta por um preço muito inferior ao investido; cada um lida como prefere com suas finanças, apenas expus um fato óbvio. Eu prefiro dar maior valor ao meu investimento e creio que o senhor não esteja tão contrário a mim porque, mesmo querendo dar a entender que trocou as motos por uma questão de "liberdade", obviamente foi corte de custos.

    De qualquer maneira, eu apóio o crescimento de marcas alternativas justamente para que o mercado se diversifique e cheguemos perto do nível de consumo europeu. Precisamos de designs e propostas diferentes para bater de frente com as palhaçadas frequentes das gigantes, com ênfase para a Honda.

    Obrigado pela oferta de uma CG, mas estou feliz com minha Fazer.

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  3. KKKK uma moto de 5 contos e preocupado com valor de revenda, fala sério.

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  4. Nossa achei muito estranhas as criticas e comparações feitas sobre a mirage 150, já que até então ouvia falar muito bem dela e penso em adquirir uma, pelo que pesquisei ela é referencia de conforto na categoria tem um bom desempenho de motor e respostas de pilotagem e desempenho na cidade apesar de seu estilo ser estradeiro. Acho que não devemos compara-la a motos maiores pois seria uma estupidez como comparar um zagueiro a um atacante, pois cada maquina deve ter o desempenho para que ela fora projetada se quer extravasar em potência torque e estabilidade e conforto, pague por isso, é e claro que a pessoa que escreveu o texto sobre a "minicuston" não tem noção nenhuma do que é custo beneficio pois investir aproximadamente R$ 5,5 mil e ter um veiculo bonito, econômico, com um bom e desempenho não sei se é desvantagem. O revés da venda logico que deve ser analisado porem não tão enfatizada pois não tenho interesse em comercializar nada e acredito que quem compra uma moto também não pensa em vende-la em 2 ou 3 meses e ao longo dos anos existem outros fatores comerciais a se analisar, e usar o termo "tiozão", já que para gosto não tem idade e eu prefiro modelo custon apesar de não ter grana para um grande investimento tenho ideia em optar pela 150, estou pesquisando sobre a moto, só gostaria que as pessoas que postassem sobre ela tivessem o mínimo de noção do que estão fazendo.

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    1. tem um monte de garoto de 22 anos achando a mirage linda demais e peças não estão mais dificeis de encontrar ja vale a pena vou embarcar tmb e sair dessas p.. de titãs é sempre tudo igual

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  5. Quantos ADJETIVOS para as concessionárias que oferecem uma moto realmente popular (preço) com uma estética MUITO BEM DESENHADA hein ?
    Cara, me desculpe mas parece que você esta sendo pago pela HONDA rsrssr e Falando nisso, compare suas 250e 300 com nossa querida COMET GT (nem precisa ser carenada)e verás o prazer que a Kasinski nos proporciona!

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  6. Meu irmão comprou uma Kasinski Mirage 150 zero há 1 ano e meio, agora ele quer vendê-la e não consegue por nada. Ninguém quer, nem de graça!
    Disse que se não conseguir vendê-la até o meio do ano, vai colocar fogo nessa PORCARIA no meio da rua! (kkk)
    Sim, a moto é uma PORCARIA!

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  7. Eu me enquadro no perfil de "tiozão", tenho 48 anos, estamos em 2013, pesquisei muito a Mirage 150 e a grande maioria dos donos está satisfeita com a moto. Claro, é uma moto 150 cc, própria para uso urbano, nada a ver nego ficar exigindo alta performance, velocidade de 120 km/h na boa, viagens de 500 km sem parar, tem que respeitar os limites da moto, seguir o que diz o manual e fazer um bom proveito. Nada a ver na minha opinião esse negócio de pós-venda, eu quero é usar a moto. Parabéns aos críticos e aos que elogiam usando ARGUMENTOS, agora vir aqui e falar que a moto é porcaria sem justificar nada é digno de pessoas que desdenham o que não podem adquirir, é como aquela historinha da raposa e as uvas.

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  8. Tenho uma miraginha 150 e adoro ela , a minha e so para fim de semana , amo curtir ela na estra na cidade ,ou seja estou muito satisfeito

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